sexta-feira, 26 de junho de 2015

Cruzeiro do Sul

Mais conhecida e celebrada constelação do céu brasileiro, o Cruzeiro do Sul é, por vezes, entendido como um sinal divino.
Formada por cinco estrelas, a constelação figura em muitas bandeiras e brasões mundo afora. Quatro delas são muito brilhantes, o que leva a algumas pessoas a crer que somente estas quatro constituem a constelação.
O brilho intenso e destacado no céu contrasta com a grande quantidade de manchas escuras que ladeiam a Cruz do Sul, como, por exemplo, a nebulosa escura conhecida por Saco de Carvão.
Cláudio Ptolomeu, astrônomo e matemático, já catalogara a constelação no século II, mas permaneceu ignorada até a época das grandes navegações, onde ganhou prestígio e importância entre os desbravadores do Novo Mundo. Nesta época viveu Fernão de Magalhães, o primeiro navegador a realizar a viagem de volta ao mundo numa embarcação. Uma das estrelas do Cruzeiro do Sul é uma homenagem ao navegador, a "Estrela de Magalhães". Sendo ela a Alfa Crux, estrela mais brilhante e de coloração alaranjada, a olho nu, e fica situada na base daconstelação, ou seja, o pé da cruz.
A estrela no topo da constelação, Gama Crux, é conhecida por "Rubídea" por ter coloração avermelhada.
Beta Crux é a mão esquerda da cruz. Segunda mais brilhante dentre elas e conhecida por "Mimosa". Já a mão direita é Delta Crux, conhecida por "Pálida" em virtude de seu brilho ser o mais fraco entre as quatro principais.
E, finalmente, Epsilon Crux é a famosa "Intrometida".
Há ainda uma sexta estrela, Zeta Crux, situada bem ao lado da Estrela de Magalhães. Ela é imperceptível a olho nu, mas com ajuda de uma luneta é possível observá-la. Não chega a ser uma estrela dupla, já que estão situadas a muita distância uma da outra. Apenas a posição aparente dá-nos esta impressão.
Sendo o Cruzeiro do Sul uma constelação tão marcante no sul celeste e visto, como já dito, um "sinal", o poeta Cssiano Ricardo tenta decifrar o sentido deste sinal com os versos:

Sinal do Céu


E uma cruz misteriosa de estrelas
abriu no céu os seus braços de luz
como uma enorme profecia:

Eu sou a cruz do cruzamento!
O cruzeiro do amor universal.

Eu tenho estes braços abertos
assim, na amplidão dos espaços
como que pra dizer: vinde todos!
que este céu é bastante profundo
e servirá de teto a todos quantos
sofrem no mundo;
que este chão é bastante fecundo
e dará de comer a todos quantos
têm fome, no mundo;

que estes rios darão de sobejo
pra mitigar a sede a todos quantos
têm sede, no mundo.

Sinal da cruz, descrucificador
porque signo de “mais”, de soma e aliança.

Eu sou a cruz do amor.
Um abraço de estrelas a quem chega
à procura de uma ilha
no mapa-múndi da desesperança.

Porque eu sou o caminho, ainda obscuro,
por onde, finalmente,
desfilará a humanidade do futuro.

[Cassiano Ricardo]


Saiba mais sobre o Cruzeiro do Sul, Saco de Carvão, Cláudio Ptolomeu e Fernão de Magalhães.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O Cometa

Sobre "O Cometa" Rodrigo Amarante comenta:
“Também é sobre a falta. Mas é a falta de um amigo querido, que é o poeta Ericson Pires, que morreu no ano passado. Foi um grande amigo que conheci logo que entrei na PUC-RJ. Já era veterano e nós nos tornamos grandes amigos. E ele foi meu grande amigo, mas também meu professor, e um cara que me ensinou muito. Grande cabeça, grande louco, culto, intelectual. Essa música foi um retrato dele à minha moda. Também é uma coisa que tem a ver com a saudade que eu sinto dele.
(...) ‘O Cometa’ é [Henry] Mancini puro: é meu amor pelo Peter Sellers e os filmes do Blake Edwards, na genialidade absurda que ele teve de escrever temas de comedia com uma delicadeza e uma inteligência absurda, não subestimando.” 
[Revista Rolling Stone. Rodrigo Amarante comenta as onze faixas do novo disco, Cavalo - http://rollingstone.uol.com.br/galeria/rodrigo-amarante-comenta-onze-faixas-do-novo-disco-icavaloi/#imagem8 ]


O Cometa
Rodrigo Amarante
Bruto bailarino
Delicado que é
Olhos de menino
Ginga de pajé

Pena de malandro
Rima de doutor
Sua faixa preta
De amarelo decorou

Mas o decoro, o coro
O status quo
Ele dizia
Cara, assim, o ó!
E sua força era
A sua voz
Ainda é, será assim
Entre nós

Foi meu professor
Foi meu cúmplice
Sua mente, eu sei
Só chego ao índice
Fera dos palácios
Peste dos jardins
Orquestrava lata
E traduzia do latim

Mas o decoro, o coro
O status quo
Ele dizia:
Cara, assim, o ó!
E sua força era
A sua voz
Ainda é, será assim
Entre nós

O cometa passou
Marcou meu corpo
Está escrito
O cometa passou
Riscou o tempo
E foi



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Tétis apresenta a Máquina do Mundo a Vasco da Gama



"Vês aqui a grande Máquina do Mundo,
etérea e elemental, que fabricada
assim foi do Saber, alto e profundo,
que é sem princípio e meta limitada.
Quem cerca em derredor este rotundo
globo e sua superfície tão limada,
é Deus: mas o que é Deus ninguém o entende,
que a tanto o engenho humano não se estende"

"Este orbe que, primeiro, vai cercando
os outros mais pequenos que em si tem,
que está com luz tão clara radiando
que a vista cega e a mente vil também,
Empíreo se nomeia, onde logrando
puras almas estão daquele Bem
tamanho, que ele só se entende e alcança,
de quem não há no mundo semelhança."

"Aqui, só verdadeiros, gloriosos
divos estão, porque eu, Saturno e Jano,
Júpiter, Juno, fomos fabulosos,
fingidos de mortal e cego engano.
Só para fazer versos deleitosos
servimos; e, se mais o trato humano
nos pode dar, é só que o nome nosso
nestas estrelas pôs o engenho vosso."

"Enfim que o Sumo Deus, que por segundas
causas obra no Mundo, tudo manda.
E tornando a contar-te das profundas
obras da Mão Divina veneranda,
debaixo deste círculo onde as mundas
almas divinas gozam, que não anda,
outro corre, tão leve e tão ligeiro
que não se enxerga: é o Móbil Primeiro."

"Com este rapto e grande movimento
vão todos os que dentro tem no seio;
por obra deste, o Sol, andando a tento,
o dia e noite faz, com curso alheio.
Debaixo deste leve, anda outro lento,
tão lento e sobjugado a duro freio,
que enquanto Febo, de luz nunca escasso,
duzentos cursos faz, dá ele um passo."

"Olha estoutro debaixo, que esmaltado
de corpos lisos anda e radiantes,
que também nele tem curso ordenado
e nos seus axes correm cintilantes.
Bem vês como se veste e faz ornado
co largo Cinto d' Ouro, que estelantes
animais doze traz afigurados,
aposentos de Febo limitados."

"Debaixo deste grande firmamento,
vês o céu de Saturno, deus antigo;
Júpiter logo faz o movimento,
e Marte abaixo, bélico inimigo;
o claro Olho do Céu, no quarto assento,
e Vénus, que os amores traz consigo;
Mercúrio, de eloquência soberana;
com três rostos, debaixo vai Diana."

"Em todos estes orbes, diferente
curso verás, nuns grave e noutros leve;
ora fogem do centro longamente,
ora da Terra estão caminho breve,
bem como quis o Padre omnipotente,
que o fogo fez e o ar, o vento e a neve,
os quais verás que jazem mais adentro
e tem co mar a Terra por seu centro."

"Neste centro, pousada dos humanos,
que não sòmente, ousados, se contentam
de sofrerem da terra firme os danos,
mas inda o mar instável exprimentam,
verás as várias partes, que os insanos
mares dividem, onde se aposentam
várias nações que mandam vários reis,
vários costumes seus e várias leis."

[Máquina do Mundo em Os Lusíadas, Canto X - Luís Vaz de Camões]

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sóis


Milky Way-100 billion stars

Sóis
Mestre Ambrósio

No infinito
Do vão do espaço
Se espaça o tempo,
Não há cansaço

No infindo imenso
De um tempo aço
Se espessa o vão
Que liberta o traço,
Forte num abraço

Há muito mais
Do que esperamos ser,
Tem mais além
De onde podemos ver

Mais muito há
Do que pensamos ter,
Além do mais
Do que queremos crer

Há bem mais sóis
Crestando entre as estrelas

Vamos andando
Por aí

Brilhar
É o espaço sideral

Há bem mais sóis

Há bem mais sóis,
Crestando entre as estrelas
Confusos, tentamos vê-las
Confusos, tentamos tê-las
Confusos, tentamos ser
As estrelas!