Nosso vizinho vermelho sempre foi recoberto de muito mistério e vem durante séculos alimentando a imaginação das pessoas.
Uma das grandes fantasias é a existência de vida inteligente em Marte e a expectativa de comunicação interplanetar. Esse é o mote de nossa análise de hoje. Em que o poeta expõe vários destes anseios e fantasias, não antes de se colocar na condição de observador de todos os fatos, produzindo sua loa*. De Marte, ele vê os olhares contemplativos dos terráqueos que tentam, de todas as formas, captar e entender o que se passa e se passou no planeta vermelho, seja construindo radares, primeiro em Gibraltar, e depois elevando as construções exponencialmente, seja enviando satélites de observação ao espaço. Tudo a fim de estabelecermos algum tipo de comunicação e quiçá uma internet interestelar de radar.
Mesmo com tantos recursos despejados na corrida espacial, o máximo que conseguimos foi o envio de algumas sondas. Levando-se em consideração a ideia de que espaçonaves voadoras marcianas nos visitam, podemos chegar a conclusão de que estamos atrasados no quesito "observação" em relação aos nossos vizinhos.
O aspecto da superfície de Marte impressiona e amedronta. A coloração avermelhada levou os romanos a batizarem o planeta com este nome em referência ao deus da guerra de sua mitologia. O helenos o batizaram de Ares, que além de deus da guerra também é o deus da fúria. Já para os babilônicos, Marte era "Nergal", a estrela da morte. Diante disso, seria mais seguro observarmos a partir de Fobos ou Deimos, seus satélites naturais. Fobos propiciaria uma vista especial, já que é o satélite natural mais próximo de um planeta no Sistema Solar, menos de seis mil quilômetros. Pra se ter um parâmetro, a Lua está a 384.405km da Terra. De tão perto, veríamos planaltos, montanhas e penhascos vermelhos, calotas polares, precipícios, cordilheiras e quem sabe até um rosto humano. Mas, certamente, o que mais impressionaria seria o Monte Olimpo, de onde Vulcano tentaria nos pegar.
Acompanhe Lenine e seu Marco Marciano.
O Marco Marciano
Lenine / Bráulio Tavares
Pelos auto-falantes do universo
Vou louvar-vos aqui na minha loa
Um trabalho que fiz noutro planeta
Onde nave flutua e disco voa:
Fiz meu marco no solo marciano
Num deserto vermelho sem garoa
Este marco que eu fiz é fortaleza.
Elevando ao quadrado Gibraltar!
Torreão, levadiça, raio-laser
E um sistema internet de radar:
Não tem sonda nem nave tripulada
Que consiga descer nem decolar.
Construí o meu marco na certeza
Que ninguém, cibernético ou humano.
Poderia romper as minhas guardas
Nem achar qualquer falha no meu plano
Ficam todos em Fobos ou em Deimos
Contemplando o meu marco marciano
O meu marco tem rosto de pessoa
Tem ruínas de ruas e cidades
Tem muralhas, pirâmides e restos
De culturas, demônios, divindades:
A história de Marte soterrada
Pelo efêmero pó das tempestades
Construí o meu marco gigantesco
Num planalto cercado por montanhas
Precipícios gelados e falésias
Projetando no ar formas estranhas
Como os muros Ciclópicos de Tebas
E as fatais cordilheiras da Espanha
Bem na praça central. um monumento
Embeleza meu marco marciano:
Um granito em enigma recortado
Pelos rudes martelos de Vulcano:
Uma esfinge em perfil contra o poente
Guardiã mortal do meu arcano.
Saiba mais sobre Marte, Fobos, Deimos, e Monte Olimpo.
*Saiba o que é loa.
Pergunte ao Wolframalpha sobre Marte clicando AQUI.
Conheça mais sobre o artista, que este que vos escreve muito admira, em seu site: http://www.lenine.com.br/
domingo, 25 de agosto de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Febe [2]
( IV, 75 )
...
Não disse mais o rio ilustre e santo,
Mas ambos desaparecem num momento.
Acorda Emanuel c'um novo espanto
E grande alteração de pensamento.
Estendeu nisto Febo o claro manto
Pelo escuro Hemisfério sonolento;
Veio a manhã no céu pintando as cores
De pudibunda rosa e roxas flores.
[Luiz Vaz de Camões - Os Lusíadas]
domingo, 30 de junho de 2013
Nemesis
Há uma teoria, elaborada em 1980 por astrônomos nos Estados Unidos, de que o Sistema Solar seria um sistema binário, tendo uma estrela irmã batizada de Nêmesis.
Segundo esta teoria, Nêmesis e o Sol tem um núcleo de gravidade comum, orbitando um ao outro. E Nêmesis seria responsável por afetar a estabilidade da Nuvem de Oort, atravessando-a e atirando diversos corpos direto para o Sistema Solar Interior, o que explicaria a periodicidade de grandes cataclismos causados por meteoros.
Da mesma forma também explicaria a localização e órbita do planeta-anão Sedna.
Órbita de planetas e um "segundo sol" são a temática de uma canção de Nando Reis, aqui apresentado na voz de Cássia Eller. Confira.
O Segundo Sol
Nando Reis
Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as órbitas dos planetas
Derrubando com assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa
Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as órbitas dos planetas
Derrubando com assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa
Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza
De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão
Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia sem explicação
Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as órbitas dos planetas
Derrubando com assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa
Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza
De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão
Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia sem explicação
Seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão
Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia sem explicação
Explicação, não tem explicação
Explicação, não
Não tem explicação
Explicação, não tem
Não tem explicação
Explicação, não tem
Explicação, não tem
Não tem
Saiba mais sobre Nêmesis AQUI, AQUI, AQUI e AQUI.
Saiba mais sobre a Nuvem de Oort e Sedna.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Via Láctea
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas”
[Olavo Bilac]
Saiba mais sobre a Via Láctea.
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