quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sóis


Milky Way-100 billion stars

Sóis
Mestre Ambrósio

No infinito
Do vão do espaço
Se espaça o tempo,
Não há cansaço

No infindo imenso
De um tempo aço
Se espessa o vão
Que liberta o traço,
Forte num abraço

Há muito mais
Do que esperamos ser,
Tem mais além
De onde podemos ver

Mais muito há
Do que pensamos ter,
Além do mais
Do que queremos crer

Há bem mais sóis
Crestando entre as estrelas

Vamos andando
Por aí

Brilhar
É o espaço sideral

Há bem mais sóis

Há bem mais sóis,
Crestando entre as estrelas
Confusos, tentamos vê-las
Confusos, tentamos tê-las
Confusos, tentamos ser
As estrelas! 

domingo, 22 de setembro de 2013

Ursa Maior e Ursa Menor


As constelações da Ursa Maior e da Ursa Menor eram duas auxiliares preciosas na navegação no hemisfério norte, principalmente na Era dos Descobrimentos.

A Estrela Polar, que pertence à Ursa Menor, está praticamente sobre o Pólo Norte Celeste, e a sua altura a partir de um lugar é quase coincidente com o valor da latitude do mesmo lugar.

Quando se viaja para Sul, estas constelações vão-se aproximando do horizonte, mergulhando progressivamente no mar, até se tornarem invisíveis. Este fenômeno o poeta Luís Vaz de Camões descreve a seguir.



( V, 15 )

Assi, passando aquelas regiões
Por onde duas vezes passa Apolo,
Dous invernos fazendo e dous verões,
Enquanto corre dum ao outro Pólo,
Por calmas, por tormentas e opressões,
Que sempre faz no mar o irado Eolo,
Vimos as Ursas, a pesar de Juno,
Banharem-se nas águas de Neptuno.

[Os Lusíadas - Luís Vaz de Camões]


domingo, 25 de agosto de 2013

Marco marciano

Nosso vizinho vermelho sempre foi recoberto de muito mistério e vem durante séculos alimentando a imaginação das pessoas.
Uma das grandes fantasias é a existência de vida inteligente em Marte e a expectativa de comunicação interplanetar. Esse é o mote de nossa análise de hoje. Em que o poeta expõe vários destes anseios e fantasias, não antes de se colocar na condição de observador de todos os fatos, produzindo sua loa*. De Marte, ele vê os olhares contemplativos dos terráqueos que tentam, de todas as formas, captar e entender o que se passa e se passou no planeta vermelho, seja construindo radares, primeiro em Gibraltar, e depois elevando as construções exponencialmente, seja enviando satélites de observação ao espaço. Tudo a fim de estabelecermos algum tipo de comunicação e quiçá uma internet interestelar de radar.
Mesmo com tantos recursos despejados na corrida espacial, o máximo que conseguimos foi o envio de algumas sondas. Levando-se em consideração a ideia de que espaçonaves voadoras marcianas nos visitam, podemos chegar a conclusão de que estamos atrasados no quesito "observação" em relação aos nossos vizinhos.
O aspecto da superfície de Marte impressiona e amedronta. A coloração avermelhada levou os romanos a batizarem o planeta com este nome em referência ao deus da guerra de sua mitologia. O helenos o batizaram de Ares, que além de deus da guerra também é o deus da fúria. Já para os babilônicos, Marte era "Nergal", a estrela da morte. Diante disso, seria mais seguro observarmos a partir de Fobos ou Deimos, seus satélites naturais. Fobos propiciaria uma vista especial, já que é o satélite natural mais próximo de um planeta no Sistema Solar, menos de seis mil quilômetros. Pra se ter um parâmetro, a Lua está a 384.405km da Terra. De tão perto, veríamos planaltos, montanhas e penhascos vermelhos, calotas polares, precipícios, cordilheiras e quem sabe até um rosto humano. Mas, certamente, o que mais impressionaria seria o Monte Olimpo, de onde Vulcano tentaria nos pegar.

Acompanhe Lenine e seu Marco Marciano.

O Marco Marciano
Lenine / Bráulio Tavares

Pelos auto-falantes do universo
Vou louvar-vos aqui na minha loa
Um trabalho que fiz noutro planeta
Onde nave flutua e disco voa:
Fiz meu marco no solo marciano
Num deserto vermelho sem garoa

Este marco que eu fiz é fortaleza.
Elevando ao quadrado Gibraltar!
Torreão, levadiça, raio-laser
E um sistema internet de radar:
Não tem sonda nem nave tripulada
Que consiga descer nem decolar.

Construí o meu marco na certeza
Que ninguém, cibernético ou humano.
Poderia romper as minhas guardas
Nem achar qualquer falha no meu plano
Ficam todos em Fobos ou em Deimos
Contemplando o meu marco marciano

O meu marco tem rosto de pessoa
Tem ruínas de ruas e cidades
Tem muralhas, pirâmides e restos
De culturas, demônios, divindades:
A história de Marte soterrada
Pelo efêmero pó das tempestades

Construí o meu marco gigantesco
Num planalto cercado por montanhas
Precipícios gelados e falésias
Projetando no ar formas estranhas
Como os muros Ciclópicos de Tebas
E as fatais cordilheiras da Espanha

Bem na praça central. um monumento
Embeleza meu marco marciano:
Um granito em enigma recortado
Pelos rudes martelos de Vulcano:
Uma esfinge em perfil contra o poente
Guardiã mortal do meu arcano.



Saiba mais sobre Marte, Fobos, Deimos, e Monte Olimpo.
*Saiba o que é loa.
Pergunte ao Wolframalpha sobre Marte clicando AQUI.
Conheça mais sobre o artista, que este que vos escreve muito admira, em seu site: http://www.lenine.com.br/

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Febe [2]




( IV, 75 )

...

Não disse mais o rio ilustre e santo,
Mas ambos desaparecem num momento.
Acorda Emanuel c'um novo espanto
E grande alteração de pensamento.
Estendeu nisto Febo o claro manto
Pelo escuro Hemisfério sonolento;
Veio a manhã no céu pintando as cores
De pudibunda rosa e roxas flores.


[Luiz Vaz de Camões - Os Lusíadas]