quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Planeta interestelar

Um planeta interestelar é um objeto de tamanho e massa planetária (massa suficiente para que sua própria gravidade supere as forças de corpo rígido, de modo que ele adquira uma forma de equilíbrio hidrostático, ou seja, semelhante a uma esfera) que não orbita diretamente uma estrela. Estes objetos foram ejetados do sistema planetário no qual se formaram ou nunca estiveram gravitacionalmente ligados a qualquer estrela. Especula-se que pode haver trilhões destes planetas só na Via Láctea.

Os panetas interestelares também podem ser chamados de planeta desgarrado, planeta nômade, planeta órfão, planeta errante, planeta sem estrela ou planeta sem sol. 

O termo planeta vem do grego "viajante" e tem ligações com a história, astrologia, ciência, mitologia e religião, de tal forma que no mundo antigo eram vistos por muitas culturas como divinos ou emissários de deuses. Desgarrados de qualquer força gravitacional estelar, os planetas interestelares seguem seus caminhos sem destino certo, sem vizinhos, sem se relacionarem com qualquer coisa perto. E ao contrário dos planetas interestelares, os planetas estelares seguem unidos às suas respectivas estrelas, e tendem a jamais terem qualquer tipo de interação em outros sistemas, tal como coisas normalmente tidas antagônicas, como "razão e emoção" expressas certa vez por Martha Medeiros:


Razão e emoção são dois planetas que não habitam

a mesma galáxia. Você sabe que sua dor é superável,

você sabe que amanhã vai encontrar um novo amor,

você sabe que é uma felizarda por ter saúde, família,

um teto para morar, mas você não sente assim.

E o sentimento é poderoso. Comanda-nos.

E a gente sucumbe. Feito um avião caindo do céu,

feito refém de um assalto do coração.


--

Trecho de uma crônica no livro Non Stop.


sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Cores do Céu

Quase sempre, quando nos referimos à beleza do céu, pensamos na noite e nas estrelas. Mas também muito lindas sao as coloracoes que apreciamos ao amanhecer e ao cair da tarde. Todas essas belas cores que vemos no céu, durante o dia, têm sua origem no Sol.

Cada raio de Sol contém todas as cores do  arco-iris: vermelho. laranja, amarelo, verde, azul, roxo e violeta. Quando essas cores se misturam, o resultado é a luz branca do Sol.

Falando sobre o arco-iris, dizia Erasmo Braga: "Sobre o oriente nublado, apareceu um lindo arco-iris duplo".

E facil observar esse fenomeno da decomposição das cores. E só pegar um cristal quer dizer, um pedaço de vidro cortado em angulo e deixar que a luz do Sol o atravesse. Do outro lado, vão aparecer as sete cores do arco-iris. A atmosfera que envolve a Terra funciona da mesma maneira que um cristal, decompondo a luz do Sol.

Repare so uma coisa quando o Sol está próximo do horizonte, logo ao amanhecer ou ao cair da tarde, ele parece avermelhado. Essa coloraçao é produzida porque, quando o Sol está próximo do horizonte, seus raios são obrigados a atravessar um longo caminho para chegar à Terra. Como grande parte dos raios azuis e amarelos é absorvida pela atmosfera mais espessa do horizonte, só os raios vermelhos conseguem atravessar o ar, chegando às nossas retinas. Acontece, então, que a difusão das cores  avermelhadas na atmosfera nos dá aquele tom de vermelho, que aos poucos vai diminuindo, à medida que o Sol se eleva.

No momento em que o Sol já está bem alto no horizonte especialmente ao meio-dia, os raios de todas as cores atravessam a atmosfera: pois, aí, as camadas de ar já são menos espessas

As moléculas da atmosfera absorvem mais os raios azuis que os raios vermelhos. E os raios amarelos mais que os vermelhos.

Essa é a razão pela qual os raios azuis espalham-se pelas moléculas da atmosfera, produzindo esse azul bonito do céu, pano de fundo para um poema de Olavo Bilac:

Lembra-se bem! Azul-celeste

Era essa alcova em que te amei.

O último beijo que me deste

Foi nessa alcova que tome!

E o firmamento que a reveste

Toda de um cálido fulgor:

-- Um firmamento em que puseste,

Como uma estrela, o teu amor.


 

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Febe [3]




( X, 87 )


Olha estoutro debaxo, que esmaltado

De corpos lisos anda e radiantes,

Que também nele tem curso ordenado

E nos seus axes correm cintilantes.

Bem vês como se veste e faz ornado

Co largo Cinto de ouro, que estelantes

Animais doze traz afigurados,

Apousentos de Febo limitados.

Os Lusíadas, canto X, estrofe 87.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Planetas (por Camões)


( X, 89 )

Debaxo deste grande Firmamento,
Vês o céu de Saturno, Deus antigo;
Júpiter logo faz o movimento,
E Marte abaxo, bélico inimigo;

O claro Olho do céu, no quarto assento,
E Vénus, que os amores traz consigo;
Mercúrio, de eloquência soberana;
Com três rostos, debaxo vai Diana.


[Os Lusíadas, Canto X - Luís Vaz de Camões]

--


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Magnitude de Sirius

Quando olhamos para o céu, nós, meros espectadores, percebemos que as estrelas têm diferentes intensidades de brilho. Algumas brilham intensamente enquanto outras quase não são perceptíveis, a maioria delas estando invisíveis a olho nu e sendo possível observar somente com auxílio de instrumentos como telescópios e câmeras especiais.
A fim de classificar as intensidades de brilho, os astrônomos criaram uma escala de magnitude. A ideia vem desde os antigos astrônomos gregos Hiparco e Ptolomeu. Assim, foram descritas as estrelas de primeira magnitude, as mais fortes, as de segunda magnitude, logo em seguida, com brilho mais fraco, e assim por diante até a de sexta magnitude, cem vezes menos brilhantes que as primeiras.
Mas essa escala mostrou-se incompleta, pois muitos astros tem brilho mais intenso que as classificadas na primeira magnitude, tendo que se criar as magnitudes zero e as negativas. Sirius (constelação do Cão Maior), a estrela mais brilhante no céu noturno, tem magnitude menos 1, já o Sol, menos 27.
A intensidade do brilho perceptível pouco ou nada dizem sobre o tamanho dos astros. Dado que Sirius é mais de 20 vezes mais brilhante e 2,6 vezes mais massivo que o Sol.
Como bem disse Hilda Hilst, em número hiperbólico, em Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão.


Ode descontínua e remota para flauta e oboé. De Ariana para Dionísio.

Canto VI

Três luas, Dionísio, não te vejo.
Três luas percorro a Casa, a minha,
E entre o pátio e a figueira
Converso e passeio com meus cães

E fingindo altivez digo à minha estrela
Essa que é inteira prata, dez mil sóis
Sirius pressaga

Que Ariana pode estar sozinha
Sem Dionísio, sem riqueza ou fama
Porque há dentro dela um sol maior:

Amor que se alimenta de uma chama
Movediça e lunada, mais luzente e alta

Quando tu, Dionísio, não estás.



--

Conheça mais a poeta Hilda Hilst clicando AQUI, AQUI e AQUI.
Saiba mais sobre Hiparco e Claudio Ptolomeu.
Pergunte ao Wolframalpha sobre Sirius clicando AQUI.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Cruzeiro do Sul

Mais conhecida e celebrada constelação do céu brasileiro, o Cruzeiro do Sul é, por vezes, entendido como um sinal divino.
Formada por cinco estrelas, a constelação figura em muitas bandeiras e brasões mundo afora. Quatro delas são muito brilhantes, o que leva a algumas pessoas a crer que somente estas quatro constituem a constelação.
O brilho intenso e destacado no céu contrasta com a grande quantidade de manchas escuras que ladeiam a Cruz do Sul, como, por exemplo, a nebulosa escura conhecida por Saco de Carvão.
Cláudio Ptolomeu, astrônomo e matemático, já catalogara a constelação no século II, mas permaneceu ignorada até a época das grandes navegações, onde ganhou prestígio e importância entre os desbravadores do Novo Mundo. Nesta época viveu Fernão de Magalhães, o primeiro navegador a realizar a viagem de volta ao mundo numa embarcação. Uma das estrelas do Cruzeiro do Sul é uma homenagem ao navegador, a "Estrela de Magalhães". Sendo ela a Alfa Crux, estrela mais brilhante e de coloração alaranjada, a olho nu, e fica situada na base daconstelação, ou seja, o pé da cruz.
A estrela no topo da constelação, Gama Crux, é conhecida por "Rubídea" por ter coloração avermelhada.
Beta Crux é a mão esquerda da cruz. Segunda mais brilhante dentre elas e conhecida por "Mimosa". Já a mão direita é Delta Crux, conhecida por "Pálida" em virtude de seu brilho ser o mais fraco entre as quatro principais.
E, finalmente, Epsilon Crux é a famosa "Intrometida".
Há ainda uma sexta estrela, Zeta Crux, situada bem ao lado da Estrela de Magalhães. Ela é imperceptível a olho nu, mas com ajuda de uma luneta é possível observá-la. Não chega a ser uma estrela dupla, já que estão situadas a muita distância uma da outra. Apenas a posição aparente dá-nos esta impressão.
Sendo o Cruzeiro do Sul uma constelação tão marcante no sul celeste e visto, como já dito, um "sinal", o poeta Cssiano Ricardo tenta decifrar o sentido deste sinal com os versos:

Sinal do Céu


E uma cruz misteriosa de estrelas
abriu no céu os seus braços de luz
como uma enorme profecia:

Eu sou a cruz do cruzamento!
O cruzeiro do amor universal.

Eu tenho estes braços abertos
assim, na amplidão dos espaços
como que pra dizer: vinde todos!
que este céu é bastante profundo
e servirá de teto a todos quantos
sofrem no mundo;
que este chão é bastante fecundo
e dará de comer a todos quantos
têm fome, no mundo;

que estes rios darão de sobejo
pra mitigar a sede a todos quantos
têm sede, no mundo.

Sinal da cruz, descrucificador
porque signo de “mais”, de soma e aliança.

Eu sou a cruz do amor.
Um abraço de estrelas a quem chega
à procura de uma ilha
no mapa-múndi da desesperança.

Porque eu sou o caminho, ainda obscuro,
por onde, finalmente,
desfilará a humanidade do futuro.

[Cassiano Ricardo]


Saiba mais sobre o Cruzeiro do Sul, Saco de Carvão, Cláudio Ptolomeu e Fernão de Magalhães.
Pergunte ao Wolframalpha sobre o Cruzeiro do Sul clicando AQUI.
Conheça mais sobre o poeta Cassiano Ricardo clicando AQUI, AQUI e AQUI.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O Cometa

Sobre "O Cometa" Rodrigo Amarante comenta:
“Também é sobre a falta. Mas é a falta de um amigo querido, que é o poeta Ericson Pires, que morreu no ano passado. Foi um grande amigo que conheci logo que entrei na PUC-RJ. Já era veterano e nós nos tornamos grandes amigos. E ele foi meu grande amigo, mas também meu professor, e um cara que me ensinou muito. Grande cabeça, grande louco, culto, intelectual. Essa música foi um retrato dele à minha moda. Também é uma coisa que tem a ver com a saudade que eu sinto dele.
(...) ‘O Cometa’ é [Henry] Mancini puro: é meu amor pelo Peter Sellers e os filmes do Blake Edwards, na genialidade absurda que ele teve de escrever temas de comedia com uma delicadeza e uma inteligência absurda, não subestimando.” 
[Revista Rolling Stone. Rodrigo Amarante comenta as onze faixas do novo disco, Cavalo - http://rollingstone.uol.com.br/galeria/rodrigo-amarante-comenta-onze-faixas-do-novo-disco-icavaloi/#imagem8 ]


O Cometa
Rodrigo Amarante
Bruto bailarino
Delicado que é
Olhos de menino
Ginga de pajé

Pena de malandro
Rima de doutor
Sua faixa preta
De amarelo decorou

Mas o decoro, o coro
O status quo
Ele dizia
Cara, assim, o ó!
E sua força era
A sua voz
Ainda é, será assim
Entre nós

Foi meu professor
Foi meu cúmplice
Sua mente, eu sei
Só chego ao índice
Fera dos palácios
Peste dos jardins
Orquestrava lata
E traduzia do latim

Mas o decoro, o coro
O status quo
Ele dizia:
Cara, assim, o ó!
E sua força era
A sua voz
Ainda é, será assim
Entre nós

O cometa passou
Marcou meu corpo
Está escrito
O cometa passou
Riscou o tempo
E foi



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Tétis apresenta a Máquina do Mundo a Vasco da Gama



"Vês aqui a grande Máquina do Mundo,
etérea e elemental, que fabricada
assim foi do Saber, alto e profundo,
que é sem princípio e meta limitada.
Quem cerca em derredor este rotundo
globo e sua superfície tão limada,
é Deus: mas o que é Deus ninguém o entende,
que a tanto o engenho humano não se estende"

"Este orbe que, primeiro, vai cercando
os outros mais pequenos que em si tem,
que está com luz tão clara radiando
que a vista cega e a mente vil também,
Empíreo se nomeia, onde logrando
puras almas estão daquele Bem
tamanho, que ele só se entende e alcança,
de quem não há no mundo semelhança."

"Aqui, só verdadeiros, gloriosos
divos estão, porque eu, Saturno e Jano,
Júpiter, Juno, fomos fabulosos,
fingidos de mortal e cego engano.
Só para fazer versos deleitosos
servimos; e, se mais o trato humano
nos pode dar, é só que o nome nosso
nestas estrelas pôs o engenho vosso."

"Enfim que o Sumo Deus, que por segundas
causas obra no Mundo, tudo manda.
E tornando a contar-te das profundas
obras da Mão Divina veneranda,
debaixo deste círculo onde as mundas
almas divinas gozam, que não anda,
outro corre, tão leve e tão ligeiro
que não se enxerga: é o Móbil Primeiro."

"Com este rapto e grande movimento
vão todos os que dentro tem no seio;
por obra deste, o Sol, andando a tento,
o dia e noite faz, com curso alheio.
Debaixo deste leve, anda outro lento,
tão lento e sobjugado a duro freio,
que enquanto Febo, de luz nunca escasso,
duzentos cursos faz, dá ele um passo."

"Olha estoutro debaixo, que esmaltado
de corpos lisos anda e radiantes,
que também nele tem curso ordenado
e nos seus axes correm cintilantes.
Bem vês como se veste e faz ornado
co largo Cinto d' Ouro, que estelantes
animais doze traz afigurados,
aposentos de Febo limitados."

"Debaixo deste grande firmamento,
vês o céu de Saturno, deus antigo;
Júpiter logo faz o movimento,
e Marte abaixo, bélico inimigo;
o claro Olho do Céu, no quarto assento,
e Vénus, que os amores traz consigo;
Mercúrio, de eloquência soberana;
com três rostos, debaixo vai Diana."

"Em todos estes orbes, diferente
curso verás, nuns grave e noutros leve;
ora fogem do centro longamente,
ora da Terra estão caminho breve,
bem como quis o Padre omnipotente,
que o fogo fez e o ar, o vento e a neve,
os quais verás que jazem mais adentro
e tem co mar a Terra por seu centro."

"Neste centro, pousada dos humanos,
que não sòmente, ousados, se contentam
de sofrerem da terra firme os danos,
mas inda o mar instável exprimentam,
verás as várias partes, que os insanos
mares dividem, onde se aposentam
várias nações que mandam vários reis,
vários costumes seus e várias leis."

[Máquina do Mundo em Os Lusíadas, Canto X - Luís Vaz de Camões]

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sóis


Milky Way-100 billion stars

Sóis
Mestre Ambrósio

No infinito
Do vão do espaço
Se espaça o tempo,
Não há cansaço

No infindo imenso
De um tempo aço
Se espessa o vão
Que liberta o traço,
Forte num abraço

Há muito mais
Do que esperamos ser,
Tem mais além
De onde podemos ver

Mais muito há
Do que pensamos ter,
Além do mais
Do que queremos crer

Há bem mais sóis
Crestando entre as estrelas

Vamos andando
Por aí

Brilhar
É o espaço sideral

Há bem mais sóis

Há bem mais sóis,
Crestando entre as estrelas
Confusos, tentamos vê-las
Confusos, tentamos tê-las
Confusos, tentamos ser
As estrelas! 

domingo, 22 de setembro de 2013

Ursa Maior e Ursa Menor


As constelações da Ursa Maior e da Ursa Menor eram duas auxiliares preciosas na navegação no hemisfério norte, principalmente na Era dos Descobrimentos.

A Estrela Polar, que pertence à Ursa Menor, está praticamente sobre o Pólo Norte Celeste, e a sua altura a partir de um lugar é quase coincidente com o valor da latitude do mesmo lugar.

Quando se viaja para Sul, estas constelações vão-se aproximando do horizonte, mergulhando progressivamente no mar, até se tornarem invisíveis. Este fenômeno o poeta Luís Vaz de Camões descreve a seguir.



( V, 15 )

Assi, passando aquelas regiões
Por onde duas vezes passa Apolo,
Dous invernos fazendo e dous verões,
Enquanto corre dum ao outro Pólo,
Por calmas, por tormentas e opressões,
Que sempre faz no mar o irado Eolo,
Vimos as Ursas, a pesar de Juno,
Banharem-se nas águas de Neptuno.

[Os Lusíadas - Luís Vaz de Camões]


domingo, 25 de agosto de 2013

Marco marciano

Nosso vizinho vermelho sempre foi recoberto de muito mistério e vem durante séculos alimentando a imaginação das pessoas.
Uma das grandes fantasias é a existência de vida inteligente em Marte e a expectativa de comunicação interplanetar. Esse é o mote de nossa análise de hoje. Em que o poeta expõe vários destes anseios e fantasias, não antes de se colocar na condição de observador de todos os fatos, produzindo sua loa*. De Marte, ele vê os olhares contemplativos dos terráqueos que tentam, de todas as formas, captar e entender o que se passa e se passou no planeta vermelho, seja construindo radares, primeiro em Gibraltar, e depois elevando as construções exponencialmente, seja enviando satélites de observação ao espaço. Tudo a fim de estabelecermos algum tipo de comunicação e quiçá uma internet interestelar de radar.
Mesmo com tantos recursos despejados na corrida espacial, o máximo que conseguimos foi o envio de algumas sondas. Levando-se em consideração a ideia de que espaçonaves voadoras marcianas nos visitam, podemos chegar a conclusão de que estamos atrasados no quesito "observação" em relação aos nossos vizinhos.
O aspecto da superfície de Marte impressiona e amedronta. A coloração avermelhada levou os romanos a batizarem o planeta com este nome em referência ao deus da guerra de sua mitologia. O helenos o batizaram de Ares, que além de deus da guerra também é o deus da fúria. Já para os babilônicos, Marte era "Nergal", a estrela da morte. Diante disso, seria mais seguro observarmos a partir de Fobos ou Deimos, seus satélites naturais. Fobos propiciaria uma vista especial, já que é o satélite natural mais próximo de um planeta no Sistema Solar, menos de seis mil quilômetros. Pra se ter um parâmetro, a Lua está a 384.405km da Terra. De tão perto, veríamos planaltos, montanhas e penhascos vermelhos, calotas polares, precipícios, cordilheiras e quem sabe até um rosto humano. Mas, certamente, o que mais impressionaria seria o Monte Olimpo, de onde Vulcano tentaria nos pegar.

Acompanhe Lenine e seu Marco Marciano.

O Marco Marciano
Lenine / Bráulio Tavares

Pelos auto-falantes do universo
Vou louvar-vos aqui na minha loa
Um trabalho que fiz noutro planeta
Onde nave flutua e disco voa:
Fiz meu marco no solo marciano
Num deserto vermelho sem garoa

Este marco que eu fiz é fortaleza.
Elevando ao quadrado Gibraltar!
Torreão, levadiça, raio-laser
E um sistema internet de radar:
Não tem sonda nem nave tripulada
Que consiga descer nem decolar.

Construí o meu marco na certeza
Que ninguém, cibernético ou humano.
Poderia romper as minhas guardas
Nem achar qualquer falha no meu plano
Ficam todos em Fobos ou em Deimos
Contemplando o meu marco marciano

O meu marco tem rosto de pessoa
Tem ruínas de ruas e cidades
Tem muralhas, pirâmides e restos
De culturas, demônios, divindades:
A história de Marte soterrada
Pelo efêmero pó das tempestades

Construí o meu marco gigantesco
Num planalto cercado por montanhas
Precipícios gelados e falésias
Projetando no ar formas estranhas
Como os muros Ciclópicos de Tebas
E as fatais cordilheiras da Espanha

Bem na praça central. um monumento
Embeleza meu marco marciano:
Um granito em enigma recortado
Pelos rudes martelos de Vulcano:
Uma esfinge em perfil contra o poente
Guardiã mortal do meu arcano.



Saiba mais sobre Marte, Fobos, Deimos, e Monte Olimpo.
*Saiba o que é loa.
Pergunte ao Wolframalpha sobre Marte clicando AQUI.
Conheça mais sobre o artista, que este que vos escreve muito admira, em seu site: http://www.lenine.com.br/

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Febe [2]




( IV, 75 )

...

Não disse mais o rio ilustre e santo,
Mas ambos desaparecem num momento.
Acorda Emanuel c'um novo espanto
E grande alteração de pensamento.
Estendeu nisto Febo o claro manto
Pelo escuro Hemisfério sonolento;
Veio a manhã no céu pintando as cores
De pudibunda rosa e roxas flores.


[Luiz Vaz de Camões - Os Lusíadas]

domingo, 30 de junho de 2013

Nemesis


Há uma teoria, elaborada em 1980 por astrônomos nos Estados Unidos, de que o Sistema Solar seria um sistema binário, tendo uma estrela irmã batizada de Nêmesis.

Segundo esta teoria, Nêmesis e o Sol tem um núcleo de gravidade comum, orbitando um ao outro. E Nêmesis seria responsável por afetar a estabilidade da Nuvem de Oort, atravessando-a e atirando diversos corpos direto para o Sistema Solar Interior, o que explicaria a periodicidade de grandes cataclismos causados por meteoros.

Da mesma forma também explicaria a localização e órbita do planeta-anão Sedna.

Órbita de planetas e um "segundo sol" são a temática de uma canção de Nando Reis, aqui apresentado na voz de Cássia Eller. Confira.


O Segundo Sol
Nando Reis 


Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as órbitas dos planetas
Derrubando com assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa

Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as órbitas dos planetas
Derrubando com assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa

Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza

De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão

Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia sem explicação

Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as órbitas dos planetas
Derrubando com assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa

Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse, você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza

De que seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão

Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia sem explicação

Seu telefone irá tocar
Em sua nova casa
Que abriga agora a trilha
Incluída nessa minha conversão

Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
E vi dois sóis num dia
E a vida que ardia sem explicação

Explicação, não tem explicação
Explicação, não
Não tem explicação
Explicação, não tem
Não tem explicação
Explicação, não tem
Explicação, não tem
Não tem



Saiba mais sobre Nêmesis AQUI, AQUI, AQUI e AQUI.
Saiba mais sobre a Nuvem de Oort e Sedna.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Via Láctea

















“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas”

[Olavo Bilac]

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terça-feira, 11 de junho de 2013

Lua Vermelha




Lua vermelha
Quase sem amor
Minha luz alheia
Brilho sem calor
Lua vermelha
Branca lua preta
lambe a minha orelha
Com a sua cor

Lua vermelha
Dez da madrugada
Sapos na calçada
De nenhum país
Lua vermelha
Noite sem Luís
Toda sertaneja
Eu sempre te quis
Eu sempre te quis

Minha namorada
Flor desabrochada
Leite de pequim
Lua vermelha
Noite que menstrua
Lua lua lua
Por cima de mim

Lua vermelha
Pedra que flutua
Que ilumina o poste
Que ilumina a rua
Lua vermelha
Meia de Luís
Toda sertaneja
Eu sempre te quis
Eu sempre te quis

Lua vermelha
Ave flecha pluma
Pérola madura
Sono do dragão
Lua vermelha
Só uma centelha
Dura enquanto dura
Bolha de sabão

Lua vermelha
Fora da bandeira
Bola japonesa
No céu do sertão
Lua vermelha
Negra de Luís
Toda sertaneja
Eu sempre te quis
Eu sempre te quis
Eu sempre te quis
Eu sempre te quis
Eu sempre te quis

[Carlinhos Brown/Arnaldo Antunes]

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terça-feira, 4 de junho de 2013

Febe


















( I, 56 )
…
Isto dizendo, o Mouro se tornou
A seus batéis com toda a companhia;
Do Capitão e gente se apartou
Com mostras de devida cortesia.
Nisto Febo nas águas encerrou,
Co'o carro de cristal, o claro dia,
Dando cargo à irmã, que alumiasse
O largo mundo, enquanto repousasse.

[Luis Vaz de Camões - Os Lusiadas]

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sábado, 1 de junho de 2013

Meteoros



Meteoros vão chover esta noite
Acender o facho do desejo
Tempos claros vão se abrir esta noite

Quem vai chegar
Vai trazer no sorriso o sol
úmido
De uma manhã
E o cabelo solto
Como o vento,
que é macio de tocar…

Olhos de céus
Infinitos a convidar
Como o mar
do verão
Com seus braços quentes
Astros tão brilhantes
virão mergulhar…

Meteoros vão chover esta noite
Acender o facho do desejo
Tempos claros vão se abrir
esta noite

Quem vai chegar
Vai trazer mil canções na voz
Toda a paz
crepuscular
Que há no limiar das trevas
Com as novas iluminações…

Vem misturar
O seu corpo perfeito ao meu
Apogeu
De um pulsar
Que há na intersecção
Da carne com o espírito
E do sonho com a ação…

Meteoros vão chover esta noite
Acender o facho do desejo
Tempos claros vão se abrir
Esta noite

[Guilherme Arantes]

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sábado, 25 de maio de 2013

Não sei se os astros mandam neste mundo













Não sei se os astros mandam neste mundo,
Nem se as cartas —
As de jogar ou as do Tarot —
Podem revelar qualquer coisa.
Não sei se deitando dados
Se chega a qualquer conclusão.
Mas também não sei
Se vivendo como o comum dos homens
Se atinge qualquer coisa.
Sim, não sei
Se hei-de acreditar neste sol de todos os dias,
Cuja autenticidade ninguém me garante.
Ou se não será melhor, por melhor ou por mais cómodo,
Acreditar em qualquer outro sol —
Outro que ilumine até de noite. —
Qualquer profundidade luminosa das coisas
De que não percebo nada…
Por enquanto
(Vamos devagar)
Por enquanto
Tenho o corrimão da escada absolutamente seguro.
Seguro com a mão —
O corrimão que me não pertence
E apoiado ao qual ascendo…
Sim… Ascendo
Ascendo até isto:
Não sei se os astros mandam neste mundo…

(Álvaro de Campos - Livro de Versos)

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sábado, 4 de maio de 2013

Da minha aldeia

















Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo….
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura…
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.

(Alberto Caeiro – O Guardador de rebanhos)

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quinta-feira, 2 de maio de 2013

O astronauta

Quando me pergunto
Se você existe mesmo, amor
Entro logo em órbita
No espaço de mim mesmo, amor
Será que por acaso
A flor sabe que é flor
E a estrela Vênus
Sabe ao menos
Porque brilha mais bonita, amor
O astronauta ao menos
Viu que a Terra é toda azul, amor
Isso é bom saber
Porque é bom morar no azul, amor
Mas você, sei lá
Você é uma mulher, sim
Você é linda porque é

(Vinicius de Moraes)

Saiba mais sobre os Astronautas, órbita e Vênus.